DRM - Detention Restrictive Manager?
Marcel Ribeiro Dantas
<ribeirodantas@slackware-rn.com.br>
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DRM - Detention Restrictive Manager?
Em um dia como qualquer outro você se dirige ao seu computador, verifica se o compartilhador de arquivos já terminou de baixar aquela música que você desejava ouvir há dias e só ontem, quando encontrou, começou a baixá-la. Ansioso, executa o seu tocador de mÃdias (media player) e espera o som tão louvado e esperado começar a relaxar seu corpo.
Infelizmente, isso não acontece pois uma janela é aberta informando que a execução dessa mÃdia (música) infringe os direitos autorais do seu autor. Você não entende a mensagem e fica meio sem saber o que aconteceu para que seu dia começasse desse jeito. Paciente, como qualquer usuário de sistemas operacionais multi-boot (aqueles que tem a dependência de serem reiniciados vinte e tantas vezes por dia), se dirige ao seu som portátil e coloca o CD que você tinha acabado de comprar. Ele não é reconhecido pelo equipamento. É como se não houvesse mÃdia no seu som. Já perdendo a paciência você se dirige ao seu DVD para assistir à quele filme que você havia guardado e mais uma vez o seu dispositivo digital não consegue reconhecer ou reproduzir a sua vontade.
O nome desse mecanismo, criado pelas empresas que se sentiam prejudicadas com a distribuição de conteúdo digital sem que houvesse pagamento dirigido a elas, chama-se DRM. Infelizmente, DRM não é um acrônimo para Gestor Restritivo de Detenção (Detention Restrictive Manager), afinal se boa parte dos produtos acoplados com DRM não avisam previamente os clientes que o mesmo vem com esse tipo de instrumento de restrição, não é no nome que eles iriam deixar um resumo do significado. Como retromencionado, o DRM começou a surgir quando as empresas perceberam o prejuÃzo da utilização livre do conteúdo digital, o que provocou, desde a década de 80, manifestações anti-DRM, como a “DRM IS KILLING MUSIC” promovida em repúdio a anti-pirataria das indústrias fonográficas.
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De acordo com os proponentes desse mecanismo, DRM é uma sigla para Digital Rights Management, ou seja, Gestão Digital de Direitos, apesar de que Digital Restrictions Management (Gestão Digital de Restrições) é mais adequado, pois indica o real significado da prática. É um sistema que visa controle do conteúdo digital disponibilizado. Ele pode estar presente através de Software, Hardware ou uma combinação de ambos. Como o DRM não é fruto de uma única empresa e sim de várias empresas que investem contra esse compartilhamento digital em massa, ele se apresenta de várias formas. Mesmo assim, apesar de existirem variados tipos de DRM, todos têm algumas caracterÃsticas comuns, como observamos:
- Informações sobre o uso do conteúdo, como quem acessa, quando acessa, e sob quais condições o acesso é feito. Todas essas informações, que deveriam ser privadas, são enviados ao fabricante do mecanismo DRM.
- Dependendo das condições, os diferentes tipos de DRM igualmente negam ou permitem o acesso a obra irrefutavelmente, condições essas estabelecidas pelo distribuidor da obra ou do mecanismo DRM.
- Quando o acesso é permitido, o mesmo é feito sob condições restritivas determinadas pela vontade do distribuidor do mecanismo DRM, mesmo que essas restrições violem direitos garantidos por lei aos usuários.
Ou seja, a propagação de mecanismos tipo DRM, nos moldes mÃnimos aqui mencionados, coloca o usuário na condição de criminoso, independente da sua boa ou má fé. Será que é justo tratar todos como criminosos? Onde está o direito universal a informação? Se eles não confiam em você, por que você confiaria neles?
Apesar do DRM estar muito presente nas práticas digitais, o foco da sua atuação é sobre obras artÃsticas, pretendendo fazer valer o direito autoral em cima da liberdade de uma infinidades de pessoas que procuram a informação, como afirmação da sua cidadania.
Prestando atenção em alguns fatos citados aqui, é possÃvel entender como um mecanismo como o DRM pode prejudicar o cotidiano de um adolescente. Até certo ponto, chega a ser ilógico a inclusão desses mecanismos de restrição em DVD players e aparelhos de som. Principalmente por que, com o aumento significativo desse mecanismo e facilidade em reproduzi-lo no computador, seu uso também seria reduzido, e isso poderia acarretar por exemplo numa diminuição das vendas dos tocadores uma vez que as pessoas iriam preferir meios mais difÃceis de serem controlados como via DRM como o computador. A questão, é que esses fabricantes muitas vezes não têm opção sendo pressionados pelas mega-corporações a efetivarem a continuidade do uso do DRM.
Já prestaram a atenção e viram como somos dependentes da tecnologia nos dias de hoje? Já pararam para pensar como seremos daqui a dez ou vinte anos? Peço agora um momento de reflexão, para que pensem: Se os mecanismos DRM continuarem e por acaso dominarem o mercado, como seria depender de tecnologias que em vez de dar o controle do dispositivo ao dono, você, dá esse domÃnio à indústrias que não estão preocupadas com a sua vontade, interesse ou desculpa? E ainda chamam de Trusted Computing.
Imagine um Sistema de Segurança que poderia prender dentro de casa ‘o dono da casa’, ou você dentro de seu próprio carro, ferindo os direitos humanos de ir e vir? E se você não tivesse controle do seu sistema de segurança seja residencial ou do seu carro? Não seria apenas um acaso você ficar preso, mas talvez a vontade do fabricante. Na Europa, muitos dos carros atualmente possuem mapas no painel, facilitando o controle pela cidade. Imagine você não ter vontade, e de repente o carro começar a levá-lo aonde os fabricantes gostariam que você fosse? Ou pior ainda, que alguém mal intencionado adquirisse controle do carro que nem você tem controle, e com más intenções lhe trouxesse alguns problemas?
Riscos existem, problemas também, mas convenhamos que a liberdade de uso do que é de sua propriedade é direito seu, do que você deseja, dentro da lei claro. Infelizmente, a partir de quando seu dispositivo está acoplado com DRM caso você saiba ou não, queira ou não, pode-se dizer que ele não é mais de sua propriedade, logo.. você não tem o direito da liberdade.
E a opinião da FSF (Fundação do Software Livre) em relação a isso? A GNU GPLv3, licença pública geral do projeto GNU, não proÃbe DRM de modo algum. Afinal, você tendo seu código licenciado sobre a GNU GPLv3, tem a liberdade de modificar o seu código ou o de qualquer outro do jeito que QUISER, independente de seu propósito e ainda assim distribuir. Ou seja, pode-se implementar livremente mecanismos de DRM em softwares livres, embora a liberdade de modificar faça com que qualquer um possa remover esse mecanismo de restrição, tornando realmente livre o software :). Como a FSF não é besta e não quer que todo ano seja necessário lançar uma nova versão da GNU GPL para agir contra as espertezas das indústrias e empresas que mais uma vez tentam abominar pequenos proprietários e usuários retirando sua liberdade, ela também age contra uma espécie de DRM via hardware e software, em conjunto.
Isso chama-se TiVoização, em homenagem a empresa empreendedora da prática, a TiVo. A Tivoização sim, É proibida pela GNU GPLv3, pois esses dispositivos impedem a utilização do aparelho após detectar alterações no código recompilado. Como disse Richard Stallman, “O desenvolvedor desses aparelhos tira vantagem da liberdade que o software livre proporciona, e tira essa liberdade de você.”
Copyright 2007 Marcel Ribeiro Dantas
Permite-se distribuição, publicação e cópia literal da Ãntegra deste documento, sem pagamento de royalties, desde que sejam preservadas a nota de copyright, a URL oficial do documento e esta nota de permissão.
http://www.slackware-rn.com.br/~vuln/2007/07/22/drm-detention-restrictive-manager/

Julho 22nd, 2007 at 3:20 pm
Show de bola Marcel.
São artigos esclarecedores sobre esse que precisamos para começar a abrir os olhos das pessoas e mostrar a realidade que está bem diante delas sem se fazer notável.
Parabéns cara..
abraço ;]
Julho 22nd, 2007 at 3:33 pm
Gostei muito do artigo, leva a entender o DRM, antes de ler nao sabia o que era esclarecedor.
Na minha opiniao, acredito num mundo livre, a internet é uma utopia do ser humano, onde todos se ajudam e compartilham de tudo. logo o DRM……entenderam né. valeu vuln
Julho 22nd, 2007 at 3:41 pm
GRD ficou tosco! Muito boa essa tendencia que você segue em seu blog, que fazer análises sobre esses temas importantes e de pouco conhecimento público. Espero que continue assim, e que esse blog sirva, como um primeiro passo de blogs aqui no estado, sobre Softwares Livres.
Julho 22nd, 2007 at 3:51 pm
Interessante o conteudo da matéria, como de todo o blog. Já aconteceu isso comigo e, realmente, é um saco. Um amigo passou uma mp3, quando fui ouvir, bah. Tinha que ter uma chave ou algo do tipo para ter acesso ao som, ehehe. Em relação ao blog, está com vários temas legais, mas você poderia postar mais screenshot.
Julho 22nd, 2007 at 4:04 pm
Obrigado pela sugestão Olivério. Screenshots ocupam muito espaço, deixam a página pesada e as vezes poluem o blog, mas tenho que concordar que uma imagem valem mais do que mil palavras.
Leonardo, eu apenas quis reforçar a questão de DETENÇÂO a qual um usuário utilizando um dispositivo acoplado com mecanismo DRM está sujeito
já te expliquei pelo Jabber.
Concordo com você Psicodelixhat, e ainda vou mais além.. a liberdade de compartilhar sempre deve ser preservada, pois é essencial nos dias de hoje.
Bem, obrigado pelo comentário de todos e pela aceitação do artigo
Abraço!
Julho 22nd, 2007 at 4:46 pm
Também sou contra a DRM, mas acho que existem dois lados da moeda.
Um deles é o lado das empresas, que vendem os produtos para conseguirem seus lucros. Querendo alguns ou não, é isso que faz girar o mundo. Eles então precisam criar medidas que restrinjam o uso da mÃdia comprada e seu conteúdo nela mesma, para que copias nao sejam feitas para terceiros. Acho que novas assinaturas para diferentes tipos de midias poderao ser adicionadas, pagando-se uma quantia adicional.
Acho que o problema é que ninguem gosta de desembolsar dinheiro pelas coisas, principalmente conteúdo digital. Usuarios de internet, como dizia até o Tanenbaum, não ficam contentes pagando por conteúdo, justamente porque a transmissao digital é facil e qualquer computador é capaz de fazer.
Será que o objetivo das empresas é restringir ao maximo nossas liberdades como foi passado no artigo? Parece algo sensasionalista e exagerado. Será que essas medidas não são para proteger o mercado? Lembrando que são as vendas que patrocinam as mega-producoes de qualidade duvidosa que as massas tanto gostam.
O conceito de liberdade para mim é subjetivo. Desde os primordios, softwares sao crackeados e conteúdos sao distribuidos gratuitamente pela internet, quebrando-se a premissa do mercado.
Mas sempre fui um usuario de softwares crackeados e rips de conteudo (mp3, filmes, etc). A DRM tende a dificultar bastante isso. Porém vai dificultar também a difusão de pequenos trabalhos e produtoras.
Claro que há outras formas de patrocinar-se os filmes e musica (nos cinemas e shows) que vendendo-se os formatos digitais.
A DRM está entrando em nosso dia-a-dia, com o blu-ray, televisao digital (o modelo nacional nao permite cópia no formato digital) e ja até esta consagrado nos leitores de CDs, cujo firmware propositalmente nao repassa o formato digital do audio exatamente como está no CD.
Será que uma solucao nao é o boicote das novas tecnologias que abusam do DRM?
Então fica aberta a discussão…
Julho 22nd, 2007 at 10:46 pm
Marcel, você está me surpreendendo cada dia mais com seus artigos. Sem comentários. Vou ter que estudar sobre este tema para poder opinar.
Um grande abraço!
Julho 23rd, 2007 at 12:14 am
Cada um com sua opinião Ephexis
Só tente resumir mais na próxima vez hehe, ficou quase um artigo em forma de comentário
A diferença é que essa questão, na minha opinião, vai muito além do lucro, dos direitos autorais, patentes e coisas do tipo.. eles chegam a infringir o SEU DIREITO de usuário, de cidadão. Se for permitido com que sejam utilizadas com coisas simples, por que não com coisas mais sérias e complexas? Infelizmente, frente ao poder das mega-corporações temos que ser pessimistas.
E é isso que vai acontecer se você for a favor do DRM, terá seus direitos violados, e o próprio direito de ser um cidadão livre não vai mais valer muita coisa.
Julho 23rd, 2007 at 10:07 pm
Manero!
Julho 23rd, 2007 at 11:12 pm
DRM é so modinha.. é muito simples saber como tudo isso vai terminar. O usuario padrao nao quer saber se aquela musica, cd, dvd que ele baixou ou comprou so vai rodar em aparelho x ou player y, ele quer é colocar o troço no aparelho e que ele rode.. na hora que ele descobri que nao roda vai ligar pra empresa reclamando e se elas nao fizerem nada vao perder os unicos clientes “pagantes” dos seus produtos.. logo DRM é um tiro no proprio pé..
Julho 23rd, 2007 at 11:31 pm
Realmente, eu concordo que ir contra a liberdade das pessoas é dar um tiro no próprio pé, mas isso já vem desde a década de 80. Não vai ser fácil fazer o DRM sumir, mas a própria EMI já prometeu distribuir mÃdias sem mecanismos de restrição (a EMI é uma das maiores distribuidoras mundiais pelo o que eu li).
Abraço!
Julho 23rd, 2007 at 11:53 pm
A apple ja anunciou que não venderá musicas com DRM pela apple store. falta so a
satãMicrosoft eliminar as restrições do wmp que essa “frescura” acaba de vez.. Ja vejo dentro da industria da musica mesmo, bandas vendendo seus albuns pela internet a um preço justo, ta na hora dos peixes grandes voltarem seus olhos para isso..Julho 24th, 2007 at 6:38 pm
bom, eu não ia comentar porque acho que não tenho nada a acrescentar..
porém, houve uma certa pressão para o mesmo..
então começarei com o famoso clichê “Parabéns, muito bom o seu artigo.”
passando por outro “Agora sim, esclareceu bastante o assunto.”
e terminarei com outro clichê não menos famoso “Continue escrevendo seus artigos, estão muito bons.”
alksjdlkjasd
agora falando sério, consegui entender o tal DRM mesmo
abraço
vuln totoso.
:*
Julho 24th, 2007 at 7:10 pm
tá brincando né? você conhece “os caras”: PsciCodelixhat, Ephexis, nibbles
está bem acompanhado de comentarores!
esses são uns dos caras.
nibbles sua vadia, =*
PsciCodelixhat tempos que nao nos falamos hein!
agora falar do post.
Achei muito interessante o post, falar sobre DRM é uma ótima coisa pra abrir os olhos das pessoas. Quanto mais gente souber sobre DRM, mais gente optará pelo uso de tecnologias LIVRES. Excelente texto.
Eu lembro de uma ver ter lido o Stallman dizer:”Se eu ganhar um DVD e tiver DRM eu nem aceito”, eu acho isso um exagero também, até falta de educação, isso é o mesmo que acontece com MS Windows, 90% dos que falam mal do MS Windows (até chamam de “Ruindowns”) usam este sistema (seja com dual-boot ou nao).
Eu uso MS Windows quando quero me conectar a internet, pois infelizmente a fabricante do meu modem nao disponibilizou um driver pra outro sistema operacional diferente das versões do MS Windows.
Eu sou a favor das tecnologias livres, sou a favor da filosofia ‘free as in freedom’, isso não se discute. Mas sou contra tentar detonar empresas mesmo que seja de forma pacÃfica (como foi o caso do BadVista que eu nao achei muito legal).
Bem, abraços pra todos
Julho 24th, 2007 at 7:26 pm
Opa, LEMBREI MAIS UMA COISA QUE CABE AO POST!
Esses dias eu li um artigo sobre impressoras, interessante o artigo:
http://www.forumpcs.com.br/coluna.php?b=214619
Isso sim é falta de respeito à liberdade.
Imagine só, eu compro uma impressora e imprimo algumas fotos de paisagens, famÃlia e etc. Aà tem uns pontos amarelos? WTF?!
Tudo bem, isso pode ajudar a polÃcia, mas afinal, quem quer ter pontos amarelos e ser tratado como um criminoso/falsificador?!
Pelo menos eles poderiam avisar aos clientes… (aà vem o outro lado da história, se avisarem os falsificadores não usam, SEMPRE tem o outro lado, mas fazer o quê?)
Julho 27th, 2007 at 9:04 pm
[…] Versão completa do artigo em http://www.slackware-rn.com.br/~vuln/2007/07/22/drm-detention-restrictive-manager/ […]
Agosto 22nd, 2007 at 10:53 am
Atrasado no coment mas…
vuln \o/
Gostei do artigo, bem explicativo.
Esse negocio aà é uma palhaçada mesmo… ja disseram tudo aà em cima..
Não era esse DRM que quebraram a chave de cripto de um barato que nem lembro o que é ?uhauahuha
Daqui a pouco vão estar vendendo “Modchip For Breaking PC hardware DRM”
é isso ae, flw
Agosto 23rd, 2007 at 9:32 pm
Olá!
Não há tempo para receber um bom comentário, principalmente quando é um amigo que ainda concorda com a opinião proposta no artigo.
Bem, o DRM pode, é e será usado para restringir uma infinidade de liberdades e conteúdo, de modo que fica difÃcil dizer se essa quebra de chave não era DRM, pois até os leigos facilmente relacionam restrição digital com DRM.
É só uma questão de semântica e um pouco de análise hehe
Abraço!